Queijos Veganos Artesanais

prato 3 queijos

Todos nós, ou quase todos, gostamos muito de queijos!!! E isso tem muitas explicações, para além do sabor e do hábito. Algumas pesquisas indicam que há substâncias viciantes, semelhantes à “opiáceos”,  na composição dos queijos de leite animal e esse é mais um detalhe que faz com que seu consumo seja frequente e que muitas pessoas considerem “impossível” viver sem queijos! Eu mesma me considerava uma “viciada” em queijos, de todos os tipos e em todas as ocasiões! Hoje continuo gostando muito de queijo, dos surpreendentes e saborosos queijos veganos, e já não sinto falta e nem consumo mais os queijos convencionais, que são produzidos à base de leite animal e de muito sofrimento!!!

Sim, porque os queijos feitos a partir de leite animal são fruto de muita violência, da dominação e exploração das fêmeas e da maternidade, num sistema cruel que engravida a vaca à força, e logo que o bebê nasce, é retirado de perto de sua mãe para que o leite seja todo destinado a humanos… A indústria de laticínios está de mãos dadas com a indústria da carne e promove a sistemática exploração da maternidade, o assassinato de filhotes (carne de vitela!) e o abuso do corpo das fêmeas!!!

Por isso o passo do ovo-lacto vegetarianismo rumo ao veganismo é também o grande passo rumo à libertação final de toda a injustiça especista e de gênero, pois só no veganismo as fêmeas, como as vacas, cabras, ovelhas e as galinhas, poderão ser livres da escravidão! Sim o veganismo é feminista!!! E esse para mim foi o detalhe mais importante, que fez com que eu deixasse para traz meu apego aos queijos e ovos, pois por mais “saboroso” que fosse, eu não queria mais compactuar com essa injustiça, com essa exploração sexista, que até no reino animal subjuga ainda mais as fêmeas!

Sobre esse assunto há inúmeros textos muito interessantes e esclarecedores; para quem quiser aprofundar, deixo aqui duas indicações de livros: ” Galactolatria: mau deleite”  de Sonia T. Felipe (www.galactolatria.org ) e “Política Sexual da Carne” de Carol J. Adams.

Como há um tempo venho pesquisando e testando muitas receitas de queijos sem nenhum ingrediente de origem animal, totalmente veganos, feitos a partir de várias técnicas e bases vegetais, posso afirmar que há um universo incrível de possibilidades a ser explorado! São muitas as experiências, que resultam em diferentes tipos de queijos, muito saborosos, criativos e muito mais éticos!  Já existem algumas marcas de queijos veganos no mercado, o que faz imensa diferença no mundo por oferecer aos consumidores opções mais éticas, porém muitas vezes esses produtos ainda não estão disponíveis em todos os lugares e, às vezes, seus preços não são tão convidativos… Claro que esse panorama está em constante mudança, e para melhor, pois com o crescimento do veganismo no mundo a cada dia veremos mais e mais produtos veganos por ai! Mas a possibilidade de produção  artesanal é sempre muito bem vinda, pois além da autonomia, é mais econômica e criativa, pois traz a possibilidade de você fazer seu queijo com a personalidade que desejar, variar um pouco nos temperos, criar outros sabores…

A receita que escolhi partilhar aqui, “Queijo de tomate seco e tofu”, é um queijo fácil de fazer, fruto de uma recriação que fiz da receita original “Queijo branco vegetal”, da página do “vista-se” (www.vista-se.com.br), e resultou em um queijo muito saboroso que agradou todo mundo,  veganos  e onívoros, incluindo até um amigo francês, o que, convenhamos, deu um charme a mais para a aprovação geral!!!

Queijo de Tomate seco e Tofu

Ingredientes:

500g de tofu fresco;

200g de tomate seco (em conserva de óleo/azeite);

2 ½ limões (suco);

1 ou 2 dentes de alho;

um bom punhado de folhas de manjericão fresco;

2 ½  copos de água mineral;

½ copo de azeite extra-virgem;

3 col. chá de sal;

1 pitada de pimenta (opcional);

1 col. sopa de polvilho azedo;

1 col. sopa de polvilho doce;

4 col. sopa de ágar-ágar refinado.

 

Modo de preparo:

Primeiramente, esfarele o tofu ou esmague com o garfo para ficar em flocos. Reserve. Coloque no copo do liquidificador o tomate seco (escorrido), um copo de água morna, o sal, o azeite, a pimenta (se desejar), o suco de limão, os polvilhos, o alho e o manjericão. Bata bem pois deve ficar um creme bem homogêneo. Acrescente o tofu e mais meio copo de água. Bata novamente e ajude com uma espátula para que toda a mistura fique bem homogênea; se precisar, coloque um pouco mais de água, tendo em vista que deve ficar com uma consistência cremosa e homogênea.

Em uma panela, misture o agar-agar com um copo de água fria. Dissolva e leve ao fogo, mexendo sempre até ferver e então deixe cozinhar por 30 segundos a um minuto, aproximadamente. Acrescente essa gelatina ainda quente à mistura do liquidificador e bata bem para incorporar. Neste momento, deve-se ter cuidado pois o agar-agar endurece muito rapidamente por isso sugiro que ligue o liquidificador e vá incorporando a gelatina ainda quente ao creme com o liquidificador já ligado, pois é preciso evitar que o agar-agar solidifique antes de misturar. Se precisar, use uma espátula para ajudar.

Distribua essa mistura em formas untadas com azeite, espere esfriar um pouco e coloque na geladeira para endurecer. Depois de pelo menos 4h, o queijo já deve estar pronto (dependendo do tamanho da forma). Este queijo pode ser desenformado para servir e fica num ponto de cortar com faca, embora mantenha alguma cremosidade.

Obs. 1: a receita vai render uns 3 queijos (de aproximadamente 500g), e a validade deles é de pelo menos 15-20 dias refrigerados.

Obs. 2: na imagem da foto que inicia este post, temos três diferentes queijos artesanais feitos por mim: o maior e avermelhado é o queijo de tomate seco desta receita. Os outros dois são o requeijão tofupiry (cuja receita já está aqui no blog) e o queijo de castanha de caju, que será o tema de um próximo post.

Espero que gostem!!! 😉