Novos tempos

Faz mais de 2 anos que não escrevo aqui e tantas coisas aconteceram nesse intervalo de tempo que será preciso resumir um pouco para poder atualizar e esclarecer o propósito deste querido espaço nos tempos de agora.

Quero escrever mais, e estar mais presente em reflexões e partilhas de receitas mas acho que antes de mais nada devo começar por me situar.

Estamos em 2021, tempos pandémicos, primavera em Portugal, outono no Brasil, de onde escrevo hoje. E esta é uma atualização importante, cruzado o oceano mais de uma vez, agora de volta ao Brasil, depois de quatro anos morando em Portugal, posso dizer que meu português nunca mais será o mesmo e meu coração já tem um pedaço lusitano que sente ainda mais saudades!

Foram muitas as experiências por lá vividas e uma delas em especial acho importante destacar aqui para assim fazer a ponte: a tábua de queijos do “Ao 26 Vegan Food project”.

Esta tábua constitui um capítulo importante da história. Foi lá em 2016 que eu elaborei e confeccionei os queijos para a tábua de queijos deste restaurante que, na época, era o único restaurante vegano “a la carte” de Lisboa. Na semana de sua inauguração eu fui ao restaurante, apresentei meus queijos à Catarina, dona do restaurante e seu staff, eles experimentaram, gostaram e assim meus queijos passaram a fazer parte do menu. Toda semana eu os produzia, eram cinco tipos de queijos, todos de bases proteicas, compondo uma linda tábua com suas cores e sabores. Para montar o conjunto eu escolhi o tremoço, tão típico de Portugal, como uma das bases, o tofu, tão comum também por lá, para outra base, a terceira base reunia a castanha de caju e também uma mistura de sementes oleaginosas.

Assim a tábua tinha os queijos de tomate seco, de tremoço com especiarias, de ervas frescas, de sementes oleaginosas e um requeijão de caju. Eram queijos feitos a partir de técnicas culinárias que eu já havia testado e aprovado com as atividades que este projeto, o Lola Veg, empreendeu anos antes seja nas feiras, nas festas ou nas aulas e cursos que ministrei.

Então por um tempo a tábua do “Ao 26” foi novidade, depois já se encontravam tábuas de queijos veganos em outros restaurantes também. Portugal por essa época já tinha algumas opções de queijos veganos industrializados e artesanais também, e até a minha volta ao Brasil em final de 2019 as opções de queijos veganos só foram aumentando conforme esse mercado foi crescendo. Mas o fato é que essa minha primeira e singela tábua de queijos veganos para o “Ao 26 Vegan Food Project” fez a alegria de muita gente, e a minha em especial, pois ter uma tábua de queijos toda vegana era um sonho meu, sonho que se concretizou mas que não acabou, que vem se realizando, se ampliando e se aperfeiçoando com o passar dos tempos.

E aí chegamos aqui e agora. Se em Lisboa me foquei na produção de queijos para o menu deste restaurante e por um lado toda semana produzia os mesmos queijos, por outro lado nunca parei de estudar e pesquisar, e sempre tinha um novo queijo sendo testado na minha geladeira… E de lá para cá ampliei bastante meu conhecimento e minha prática nesse assunto, seja criando e adaptando receitas, experimentando, ou fazendo aulas e cursos e assim fui me aperfeiçoando mais e mais nesse universo tão fascinante que é o universo dos queijos vegetais, queijos que podem ser feitos a partir de diferentes matérias primas, com diferentes técnicas e procedimentos culinários. Hoje sigo fazendo queijos veganos e agora eles são queijos fermentados e curados de acordo com as técnicas tradicionais da queijaria.

É incrível como a roda da vida gira nos trazendo ao encontro do ponto de partida, elevado em potência criativa. E reconheço como meu desejo irreprimível por queijos, contraposto ao meu amor pelos animais e ao valor da não violência, me fizeram buscar alternativas veganas para esses queijos convencionais, desde as pastinhas temperadas, que se repetiam e variavam à exaustão, até o primeiro queijo de pizza, o famoso Tofupiry, uma das primeiras receitas que compartilhei neste blog, depois o primeiro e impressionante queijo branco de corte feito de tofu, depois o de tomate seco, depois o de semente de girassol, de amêndoas, de caju, macadâmia, de mandioca, de amendoim, de tremoço… e todas as outras muitas receitas e testes e possibilidade que foram sedimentando essa possibilidade como muito real! Hoje fazer queijo vegano para mim é simples, ja fiz muitos, de muitas formas… mas ser simples não diminui seu valor, pelo contrário, sigo encantada com seus sabores, com seu potencial, com sua maravilhosa forma de nos permitir consumir queijos sem causar danos nem dores aos animais, nem ao planeta e nem a nós mesmos, já que hoje já se sabe dos malefícios dos laticínios convencionais feitos de leite animal. E os queijos vegetais permitem esse agregar de valores, da memória afetiva, do paladar, da cultura, do social, do prazer, porque sabor é muito importante, nutrição também é, mas o respeito à vida e a compaixão são mais!

Assim, dessa minha trajetória pelo universo dos queijos vegetais surgiu um novo projeto, ele foi sendo gestado e depois amadurecido por muito tempo até que há poucos meses tomou forma e ganhou um nome: “Q Veg”, uma pequena queijaria artesanal onde eu reuni o melhor do que já estudei e testei até agora para preparar queijos muito especiais para compartilhar com o mundo esse meu amor pelos queijos e também pelo animais!

Então retomando esse blog, é provável que ainda fale mais um pouco aqui sobre essa minha jornada e paixão por queijos veganos, e já que o Lola Veg deu origem ao Q Veg, e o Q Veg ainda não tem seu site próprio, vamos compartilhar as experiências e o espaço por um tempo.

Quero trazer mais fotos dos queijos que fiz em Lisboa e dos queijos que faço agora para que vocês possam ver que lindos e variados eles são! Por hora me despeço com essa foto recente, de um lote de queijos de castanha de caju em processo de maturação, e eu muito encantada com eles!

Quem quiser saber mais a respeito ou encomendar os queijos, veja o instagram do Q Veg https://www.instagram.com/qveg.br/ e entre em contato comigo.

Até Breve!

Marcha Animal em Lisboa

Amanhã, sábado, dia 09 de abril de 2016, é dia de ativismo aqui em Portugal!!!

Muito feliz em participar deste evento!!! Somar minha presença e minha voz em prol de todos os animais, em prol de um mundo mais livre e fraterno!!!

Considero muito importante nos manifestarmos publicamente pelos nosso ideais, pelos direitos dos animais, por uma cultura de paz, que valorize a vida e o respeito, por uma sociedade mais justa e compassiva! Veganismo por um mundo melhor para todos!!!

12987199_10154003015022954_2794852867216338741_n.jpgIMG_7124

Natal, vidas e amor!

10616503_978660478815615_4902541093578401989_n1476062_978660532148943_2913808380927855032_n10801854_978660595482270_6652227824624754295_n

Ontem saindo de casa vi várias vacas e touros no pasto aqui do lado, estavam deitados uns perto dos outros, contemplando a paisagem, serenos, no maior carinho e aconchego. Eu parei o carro pra ver melhor, e tirar uma foto da cena, então um deles levantou e veio pra perto da cerca, eu dei uns matos pra ele, ele cheirou minha mão, queria lamber, pegar, então me olhou, se aproximou mais lateralmente e abaixou a cabeça como que pedindo carinho… Eu, do outro lado da cerca, passando a mão na sua cabeça, fiquei absorta em pensamentos… Aos poucos os outros tbm vieram, foram se aproximando e ficaram lá me pesquisando, me olhando, interagindo comigo, eu já falando com eles, acarinhando … E aí arranquei mais mato, ofereci e ficamos ali um tempo, em mútuo interesse. Então me lembrei do que tinha que fazer, me despedi, fotografei e voltei pro carro, para meu trajeto, para minha vida. E fiquei pensando em como são criaturas interessantes e calmas os bois e vacas, como são belos, como são grandes em tamanho, em simplicidade e ancestralidade… E como muitas pessoas não os conhecem como seres, apenas como matéria prima para diversos usos, como objetos… Mas eles não são carne, leite e couro, eles são feitos da mesma matéria que nós humanos, são carne e osso e sangue e nervos e sensações e vida…

E nestes dias de festas, em que todos se permitem ficar mais sensíveis, emotivos e amorosos, confraternizando com os seus em rituais familiares de afeto e celebração da vida e do amor que nos une, eu me lembro dos meus primeiros natais, da festa na casa da minha vó, em que, além das comidas, da reza e dos presentes, havia algo muito especial: as crianças encenavam o presépio, a cena do nascimento de Jesus entre os animas. Eu, minha irmã, meus primos e primas éramos a sagrada família, e recebíamos o menino Jesus com alegria! Nós, como anjos, reis, humanos e animais, juntos, irmanados em vida e amor!

Hoje vejo essa lembrança com mais carinho ainda, como uma história que se repete simbolicamente a cada ano, lembrando-nos que os animais não humanos são nossos irmãos na jornada terrena, que em muitos casos são mais íntegros, sinceros, sensíveis, prestativos e sábios que nós, humanos. E a cena do presépio simboliza isso pra mim, com toda potência, ternura e simplicidade nos traz uma oportunidade de recordar esse mistério da vida, da unidade na diversidade…

Na volta para casa, a chuva caindo e eles lá, ainda no pasto, na chuva, uns encolhidos em baixo de uma árvore, outros deitados, tranqüilos, deixando a chuva molhar… Tanta calmaria e aceitação eu vi ali. Tanta paz e beleza… E aí me invade um sentimento de esperança, me alegro na lembrança de que, assim como eu, muitos de nós humanos já estamos transpondo a barreira do especismo e vivendo a vida que nos foi dada em reconhecimento de que, na essência, somos todos iguais.
Minha gratidão e meu respeito à ancestralidade da vida na Terra, com toda sua diversidade, com suas histórias, culturas e tradições que, renascendo, nos recordam que somos vida e amor!